quinta-feira, 29 de janeiro de 2009


A língua que cala o grito
a mão que acorrenta o passo

disfarce sobre o olho inchado

o erro que mente e fere
a porta que bate rente
a lágrima que não volta nem desce
vontade que não passa
do fantasma que não a merece
mil e cento e duas noites acordadas

a palavra que se repete
a brincadeira do tempo que não passa
hiperbóle do ator faminto
o mendigo majestoso
o espelho que reflete a maquiagem borrada
a memória que mastiga na mente
as besteiras do ato desastroso
dias de dilúvios eternos
e o eco que zumbe no ouvido
desculpas desacreditadas
verdades de um ébrio mentiroso.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Na sua cabeça
sempre em ebulição
sobre seu corpo calmo
transitam as idéias do absurdo
E ele
com seus pés engraçados
desenha seu caminho
e acena da sua janela pro mundo
perdido entre moinhos
com os olhos cheios de imensidão
Aquele louco
que anda cheio de fé
é um romântico compondo sua canção de amor!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Memórias de mim

Daquela mãozinha casta
Me resta a forma somente
Do que era semente
E agora é flor murcha


Cheia de feridas amargas
E calos nos dedos dos anos
Cansada e enrugada
Sem achar palmas na vida


Daquele choro agudo
Cheio de vigor e perseverança
Me resta o silêncio do mundo
E a covardia de esperar esperança

Naquele corpinho,
Que ainda não estava assim inchado,
Cheio de bagagens... Eu habitava.
Onde eu não tinha foto-lembrança de morte
De tudo que ainda não sou e nunca mais serei.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009


Há tanto tempo que não beijo outra boca
que minha língua já tem camadas espessas
de teu cuspe.
Minha vida está inundada com teu gosto.
que eu tanto gosto.
Esse sabor insosso do mesmo,
é o que mata minha sede de loucura
é minha cura
amarga e única
saliva viva que
me vomita juras.
.