segunda-feira, 30 de março de 2009

Âmago

pelas minhas veredas eu sei que o caminho é espinhoso
por dentro do mato denso há o escuro
um poço de dúvida e preguiça
um impulso de prazer e morte
bichos pequenos e gotas de deléterios
há poças de olhos
vontades imorais
no mato denso que o perigo capina
por dentro tudo é muito misturado
o querer e desquerer vestem o mesmo trapo
e dos avessos a costura tem o mesmo ponto
dias claros sobreiam noites numbladas
chuva forte alaga os tempos sem invernos
longas horas em versos monossílabos
infernos místicos nos atalhos e nos brejos.

domingo, 15 de março de 2009


Estou contra as paredes de mim mesmo
não consigo perdoar-me
peno-me até nos menores erros
e agora? como encontrar o caminho de volta
se eu não tenho o itinerário que segui
eu falei e fiz, tá feito
como desfazer tanta dor
não saber onde ir é comum em qualquer sujeito
tenho o mau hábito de perder afetos
dizeres incompletos cheios de raiva de mim

perdi meu último romance
quando tudo que eu queria era pleno de seu perfume

eu rejeito o remédio de minhas dores
e faço tantas outras crueldades contra mim
sem saber porque
rejeito a cura e juras de amor...

segunda-feira, 9 de março de 2009

"Expelições"

as mãos apontam e atiram contra o peito alheio
sem tirar nem pôr: o que julgo me condena,
o que condeno pago a pena,
para quem muito pensa não há perdão.
Escravo de minhas hipérboles,
sou um mendigo de fartas alegorias
cuspo minhas verdades egoístas e agarro-me ao vão
lanço olhares à revelia de tuas vontades
atiro-me dos andares de minhas derrotas
e não dou nada, transpiro minhas idéias alheias
molho a camisa sem muita convicção
estou perdido e ferido
repelindo o que é certo e exato
expulsando acomodação

sábado, 7 de março de 2009

A dor de cada dia
é o que sobra depois
da morte de rotina
e do prato principal.
Lambuzada de querer,
degerindo meus remorsos
e o medo de ter dito o que não posso.

Todo espetáculo precisa acabar.