segunda-feira, 25 de maio de 2009

tira a baba
e o gosto
tira o tapa
e o gozo
despido dos dados
falados e calados
veste a nudez de minha pele
e lambe as palavras secas
e a libido morta
dança sobre os ossos
e sobre os passos tortos
enxerga a alma que está por dentro dos olhos
põe a palma na mão
e cala a palavra
que corta o silêncio
sob a escuridão

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Insustancial

a voz em alto tom
sem armaduras
dela brota coragem
das tuas garras de desespero,
com grandes unhas de covardia
para num intento mediocre crava-las
no corpo que abriga desenhos e formas indefesas
que corajosamente expõe sua sensibilidade
seu ar de graça rarefeito
arranhaste a virtude, coisa adocenada
mas o mau fracassa
ao lado dos que justos se impõem
não houve nenhum grito abafado
só calada foi a mão
que queria a mancha do sangue.
dessa não tiraste o viço
não tiraste a beleza
não tiraste nada
o que fizeste foi lamear a tua cara
a tua deformação
a tua falta de caráter
tens agora a marca ordinária
do pecado da pseudovalentia
não quebraste as asas fragéis da jovem
mas de ti retiraste a asas que poderias ter um dia
inser, é o que és
o que não pode existir na íris dos valores
pequeno, como já o era por rumores.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Melês-de-cuia

caiu no chão o que era doce
dentro da poça de alma
funda e suja
perdido então...
que se há de fazer?
como dar ação
ao caus instalado entre as possibilidades?
e a direção que o tempo toma
é sempre tão contraditória
o tempo é um engolidor dos dias
e um marcador de fatos
a inevitável evidência das meleiras
o batom no espelho
ou os respingos de pasta
a toalha esquecida
a data esquecida
a boca esquecida
a mágoa nunca dita
os cacos das meias palavras mal perdoadas
os pedaços do vidro do doce
cortam a pele que havia
entre o músculo e a película sana da rotina


a loucura silenciosamente tapa a retina
as asas crescem e se atiram da janela contra o vento
sujando o asfalto
poças de sangue amargo
saem das michas de olhos castanhos...


acabou-se!

sábado, 2 de maio de 2009

Impulsão

Não foram as palavras...
foi o medo e o cheiro de vontade guardada, de ir e de ficar

não vou mais ser aquela mesma pedra
nem vou cantar mais um bolero

caminho ao passo da vontade
da verdade que pintar
do ar que der pra respirar
comendo as vísceras da liberdade
e da beleza de existir

Foram os relógios espalhados pela casa
que me disseram as regras que amargam o nosso gosto, a língua que eu falo
que poldaram meus sonhos e meu desafios
que apontaram as alianças oxidadas
e o infinito que fica no filtro do cigarro da coragem

...não me espera pra jantar,
não vou mais fazer as honras na casa das horas
vou mover com um copo um blues
e afagar a brisa sem marcar o tempo da saudade...