segunda-feira, 25 de maio de 2009

tira a baba
e o gosto
tira o tapa
e o gozo
despido dos dados
falados e calados
veste a nudez de minha pele
e lambe as palavras secas
e a libido morta
dança sobre os ossos
e sobre os passos tortos
enxerga a alma que está por dentro dos olhos
põe a palma na mão
e cala a palavra
que corta o silêncio
sob a escuridão

4 comentários:

Luciano Fraga disse...

Terra fértil à vista... Belo e devorador,parabéns pela escrita cada vez mais madura, abraço.

daniel mendes disse...

Hummm... cê vai longe viu coisinha...

Tuiu Munanga disse...

Moça, tava devendo essa passada aqui, demorei, mas passei... Gostei bastante dos teus versos, não deixa isso apagar não, o mundo anda precisando de disso, de poetas e poesias sendo vividas e espalhadas como sorrisos contagiantes e beijos calorosos. Salvemos o mundo então!

beijos

Devir disse...

Voce ainda quer fazer alguma coisa? Ainda se quer?
Se quer, quê bom, porisso que jamais me sinto só.
Mas, mesmo assim, estamos tão tristes, e por tristeza,
Qual outro motivo seria?, vamos tomar mais uma cerveja.

E sabemos, mais uma de sempre a saideira, como Cultura,
Ou qualquer, atualmente, coisa engarrafada e encaixotada, e
Vendida, dissimulada ou não, para nossa pobre convivência,
De respeito pertinente ao poder, riqueza e boa aparência.

Não me olhe assim, Cara, seja homem ou mulher, cego ou não,
Essa conversa não tem significado, até podem ser suas palavras,
Porque não estamos nos rendendo, nem sequer ao suicídio, este
Ato, para nós, que seria a coroação da estupidêz de quem ficou.

Um verso a mais, esperado ou não (cerveja não vicia), outra boneca,
Seja homem ou mulher, outra música, para acalentar o ser vasio, a
Vã esperança, a dor jamais revelada, o grande destino humilhado, a
Bondade a custo contida, a nos beijar antes da saideira, cultuada.

&

Gostei do seu recanto, e neste post, uma ponte se fez à frente, sem a baba quase inevitável, sem o tapa exclusivo da soberba ou sobobo, sem dados do berço, seco, atravessei para ver sua alma e, se conseguirmos, para versar sobre a escuridão rendentora.

Aquele abraço