quinta-feira, 11 de junho de 2009

No batente da porta da madureza
as lembranças inquietas e os olhos úmidos
- frio terrível tem as noites de junho
e depois dessa porta há tantos outros olhos
outros abraços
não há choros ou rimas
nem cartas com desenhos
ou brincadeiras com poderes

atravessá-la nua é o único jeito
fora dela há apenas esse batente
e um cheiro forte de lembranças e ausências
nenhum transeunte para as bobagens da infância
- as palpébras apagadas ainda reconstroem as velhas ruas
o tempo sopra forte
e crescem pêlos
impulso
e travessia
o encontro com a perda da nudez
[atrevessa a porta esses pés ainda macios de unhas curtas]
- troca de fantasmas

Na madureza os homens usam gravatas
que enforcam seus desvarios
as mulheres pintam os lábios de mentiras
sem brincadeiras
nem tempo
nem castelos...bruxas..encantos
só sapos
aqui ao que parece
tudo é desespero

2 comentários:

Luciano Fraga disse...

Zana, dizem que o mais terrível nos homens é a sua probidade, alí estão seus riscos, suas afirmações e medos.Poesia de quem rompe uma nova porta, nua e de pés descalços no escuro e na descoberta do novo.Poderoso poema de invasão, abração.

Devir disse...

Má dureza, seja o que for, ganhou tal alcunha, porque funciona metaforicamente como:

Mala

Locomotiva na linha
nunca busca outra direção
sempre para frente

quando para trás
é manobra
convem aguardar

não se comova nem vá
em nenhum lugar vai chegar
logo vai voltar

o passado são cargas
pessoas e dramas ausentes
lembranças nas malas presente

embarque de olhos fechados
ao futuro invisível sempre
na próxima estação

esqueça a mala e seja
amor para fora onde
agora enfrente