quinta-feira, 11 de junho de 2009

Só mais um Bolero...

faca amolada no salão imenso
cada nota é um tapa na imagem distante que inflama o peito
no lamentoso rodar
o salão tão vasto
a letargia do tempo harmoniza a dor e a falta
volta
e envolve em teus braços esse abraço fraco e frio
tira das mãos tristes esse copo quase vazio
e cobre esse corpo com teu vestido esmaecido
envolvido em ti desfaz o vagaroso
e os pés seguem de perto o cheiro da nuca quente
os teus ombros mais baixos
teus lábios mal pintados
encaixo em teu decote esse querer sincero

...e na cantante saudade vive a falsidade dessa minha ilusão.

4 comentários:

Ellen Joyce disse...

"Imenso, vasto, fraco, vazio, frio, mal pintado..."
São um deleite esses adjetivos!

Luciano Fraga disse...

"inutilmente bêbado, triste como um peixe afogado, na madrugada sonolento, de bolero em bolero, acuerda-te daqui a pouco, a tua boca guarda segredos de mim..." Delicado e extremamente musical, um blues na verdade, abraço.

Devir disse...

Sim, e
quase sempre
outra escolha
em ambiente fechado
até música abafada
mal pintou apenas vislumbrou
os lábios
e, Não

por que não
uma cantata de Bach
Jesus bleibet meine Freude
barroco lírico profano livre
Herz und Mund und Tat und Leben
Coração e Boca e
Grandes Feitos e
Vida, menina?

Luciano Fraga disse...

Tá na hora de acabar esse recesso, este jejum, manda algo novo para nós aí, abraço.