domingo, 28 de junho de 2009

Tanta arrogância não combina com meu moletom, nem com o tempo de uso dos meus sapatos.

(Sabia disso e mesmo assim insistia em pisar o mesmo asfalto e devorar a distante presença
- ele se perdia entre as conotações inefáveis daquela quimera - um condenado a saudade)

Amei a embreaguez e os meus males, de sobriedade bastava saber o teu não querer.

(sozinho amparado pela calçada, gritava baixinho, sem erguer mãos para esmolas)

o que tenho são córneas com tua imagem, pálpebras com teus gestos, língua com teu gosto, mãos com teu lodo...e um coração que te ama radioativamente atrofiando meus sentidos...
tudo pisado e ignorado pelo teu salto alto e pela tua soberba de lábios finos e vermelhos.

4 comentários:

Luciano Fraga disse...

Zana, as duas caracteristicas mais deploráveis que enxergo em um ser humano:arrogância/prepotência, elas são como armaduras que os covardes utilizam para acobertarem sua fraquezas.Adoro poesia assim, temática, mensageira, humanista, grande abraço.

Devir disse...

Santa maria mãe de deus rogai
pelas almas famintas, de poetas
porque a cruz não os redimirá
porque dela desce o lodo e
é impossivel deter, porque as mãos
em chagas, porque jamais lavadas
hão de jamais tocar a sobriedade
evitar inefável embriaguêz do amor

Com carinho

Samuca.Santos disse...

Forte!Gostei.

daniel mendes disse...

isso mesmo... joga na cara