terça-feira, 15 de setembro de 2009

hermetismo feito de ácaro...

Ruas vazias onde encontro pela primeira vez velhos amigos
em primeira pessoa se manifestam segundas
e tantas outras posições de tuas intenções
eu que já vivi os últimos dias de uma vida
vivo agora o princípio do que vem depois

o desejo ardente de andar descalço na praia
de experimentar o gosto dos deuses
já não comove mais meus ossos cansados

não há mais vontade de cartas ou de amor
o desejo que me toma o peito é apenas esse...
de sentir saudade
sem agonia,
sentir saudade...
e me deitar, entre sonhos lascivos, com a ausência.

2 comentários:

Luciano Fraga disse...

Zana, "o tédio não é mais meu amor",descansa, depois carrega as pedras e limpa a sujeira equestre... Belo texto, pra variar.Obrigado pela atenção, forte abraço.

Tuiu Munanga disse...

Lindos versos, que inevitavelmente me lembraram outros versos, as vezes minha cabeça funciona em links, musicas que chamam palavras, palavras que chamam musicas, musicas que chamam musicas, por aí vai. E envolto em meus estudos pós-letrícos(?) me deparo com a tal intertextualidade e aí lembro como é bom as vezes sentir saudade, e como as vezes tenho saudade de mim mesmo... "E por falar em saudade..." de tanto falar em saudade, terminarei com saudade de chegar ao fio da meada do que queria dizer, com medo de ter dito tanta coisa, e no fim das contas ter dito nada...
...
Pra fechar, eis que lembro desse verso: "Caminho em frente pra sentir saudade..." e termino por aqui... caminhando em frente pra sentir saudade, e voltar sempre.

beijos, moça!