domingo, 15 de novembro de 2009


O café frio sobre a mesa repousa em seu breu o brio e o pudor do seu amargo Já não são esses os pés que giravam, que contorciam as pernas para te ver vibrar com um simples plié...A fraqueza esculpida nesta face, não é mais a dama que em passos ritmados preanunciava os ritos sagrados do matrimônio...toda forma pequenina que apalpaste com a mão na esperança de fazer um bibelô de finos traços, transformou-se nessa informidade no espelho...erva daninha sem raiz funda, sem força...sem inspiração alguma...receita desandada...Fujo das verdades que podem me punir, e sinto a culpa e o correr do tempo como uma onda forte que vêm com a força do mundo, mas que vai e finca meu pé sob a lama refrescante...às vezes que sou forte sobrevivo a correnteza.

domingo, 8 de novembro de 2009

Essas fórmulas de afeto que te servem de parâmetro não me afetam...
meu sentir e meus deletérios possuem a forma única dos meus olhos
e se sou crua,
e se sou frívola e desabitada... que não me siga com teus passos rotos,
não me ofereça teu coração em trapos,
tuas clicherias
formas do globo...
guarde pra ti esses inventados,
eu quero experimentar o gosto do gosto...
a dor, e a luta e a cor das máscaras que escolho.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009


os cabelos esvoam na direção dos rumores

o canto, caminho para as profundezas do mar escuro, ecoa por toda a parte...

O peito mortal bate forte,

sentado e calado,

invisível como os animais urbanos,

esquecido como as antigas lições...

aquele peito mortal vive sua existência e rugas, tem sede, saliva e dentes,

seus gestos e seu nome, todos os mistérios das suas cascas...

como um acidente... um transeunte que não passa.

o mortal - peito vivente - é uma rapousa, lobo-serpente...

estraçalhado por um exército de traças,

um velho não lido sob uma camada espessa de poeira,
conta a grande fábula inaudível.