sábado, 31 de julho de 2010

Goya "sleep of reason"


a semelhança de uma tempestade o tédio se instala
feito da matéria ababosada da nostalgia
tédio quase letal
da espécie do putrefostedius
suas vítimas experimentam o avesso da vontade
e devoram as entranhas do auto-estranhamento que as alimenta a alma
tédio feito da calma covarde
e da lama rala da vaidade
seu vil diagnóstico espera a corda no pescoço
o fosso da vã comiseração miserável.


Não há remédio à vista... contra esse samba roto!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

antropofagiadetodosnós

Devoro os meus pertencimentos como um carnívoro infame
mato a minha fome com carne morta e alheia
Devoro toda a vida transeunte
e cuspo célula,
como um cachorro abandonado não rejeito restos,
não exijo talheres de prata ou porcelana nova,
eu não engulo os trapos e
sempre que posso como na panela sem medo da chuva.
Em noites de lua
me esfrego no teu perfume morto,
teu prazer gerando o meu lodo...
e os meus poros vorazes farejam
teus rastros pelo ar...
Em mim apenas o instante é vivo,
e pulsa em meu sangue quente,
o resto é refulgo frenético e inane.