Com o tempo você se acostuma com a noite
e percebe a madureza como as pequenas
epifanias que a vida fareja
Segue sem perseguir qualquer destino
e com a calmaria escolhe as velas
o barco
o vento
É só mesmo com a força da correnteza
que se pode se dar conta
que só do avesso se vê a etiqueta
que o que o corpo exibe é vazio
que há um grito que como fumaça escapa
que há um copo
que há um cheiro
que há uma mancha
que nem com saliva se lava

O homem de Sete Cores (Anita Malfati. 1916)
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