sexta-feira, 19 de março de 2010

Lusofagia

A minha língua é o berço dos meus olhos,
o pé dos meus sonhos...
os contornos dos tantos corpos,
o pastor do meu rebanho.
Na minha língua dei vida a "inania" terrena...
pisei na arena e matei dragões.
Exorcizei tristezas,
devorei nomes.
Na minha língua cotornei teu suor,
teus membros,
redesenhei teus defeitos.
Inventei mil formas,
meu ontem, meus pedaços, meu inteiro.
cuspi, comi e escarrei... em seus dialetos.
dela tirei as asas que me levam,
e esse meu ego de nariz grande.
Tenho a língua imunda dessa língua que lava os meus custumes,
minha dor, os meus quereres,minha liberdade...
minha saudade foi escrita em português.

5 comentários:

Devir disse...

Nosssa!!!

E o planeta
paradoxo
fica pequeno
grande
totalmente
como se quer
salvo

Fremi dentro
todas, realmente todas
as vontades

Devir disse...

Insígnias iníquas injúrias

Grande perda para o sexo
quando inexiste o amor, e
simultaneamente, perda maior
para o amor, quando inexiste sexo

Ambos, desacordados, que se lixem
que se acabem e se vendam
para marionetes, cuja almas
sequer sabem o que procuram

Meu ódio, ontológico, não principia
no varejo, onde a inveja, girândola
grassa feito moscas do doce à merda

Minha inveja, absoluta, resoluta, luta
no atacado, onde o ódio, graceja, ora
sutil, ora ácido, mistura merda ao doce

Luciano Fraga disse...

Zana, uma expiação, um reconhecimento, identificação e uma ânsia com desejo de superação,ainda bem que expressa em língua que consigo compreender, grandioso.

Lis disse...

Fiquei até com vergonha de deixar um comentario, depois do que vi... kk Gostei muito.

Água Doce disse...

Meu Deus!
Belissímo!
parabéns, zaninha..