quinta-feira, 1 de julho de 2010

antropofagiadetodosnós

Devoro os meus pertencimentos como um carnívoro infame
mato a minha fome com carne morta e alheia
Devoro toda a vida transeunte
e cuspo célula,
como um cachorro abandonado não rejeito restos,
não exijo talheres de prata ou porcelana nova,
eu não engulo os trapos e
sempre que posso como na panela sem medo da chuva.
Em noites de lua
me esfrego no teu perfume morto,
teu prazer gerando o meu lodo...
e os meus poros vorazes farejam
teus rastros pelo ar...
Em mim apenas o instante é vivo,
e pulsa em meu sangue quente,
o resto é refulgo frenético e inane.

3 comentários:

Ellen Joyce disse...

Muito forte e bastante (cada palavra), e o entendimento se faz único
Parabéns

Luciano Fraga disse...

Zana, é preciso devorar todas as carnes e todas as palavras fortes para um renascimento potente, a la O. Andrade.Belo! Abraço.

Evelin disse...

Debaixo da carne, invadindo pele adentro..é onde pulsa o seu poder. Gosto do seu lodo humus enfurecido. Amo.