quarta-feira, 20 de abril de 2011

O velho do mar

Era noite,
o calor há muito o angustiava.
Enquanto tomava um café quase frio, entorpecia-se pensando na vida.
Era um velho de pouco mais de vinte anos, como eu.
Olhava ao longe a miragem do que parecia o futuro: um castelo de Sherazade envolto nos vultos da possível solidão.
Durante algum tempo, depois de se perder de seus templos, seus versos, suas semióticas e vícios... passara a elocubrar sobre seus reinos e inventar suas próprias cores.
Lançou-se ao mar, sem muitas escolhas, como qualquer um de nós, náufragos de nascença.
Por detrás de sua barba e seu tempo, não é só mais um bobo da corte, como eu, é o arauto que trouxe as boas novas para essa aldeia... pois tem histórias, tem nas mãos as fantasias que trouxe das profundezas, onde os monstros mitológicos habitam, onde ouviu das sereias o terrível canto do amor... os segredos dos reis e dos peixes... seus feitiços, batalhas, falhas, inventos...a odisséia de um herói que já teve muitas tróias para derrotar...

2 comentários:

guru martins disse...

...um netuno
pós-moderno...

vim através
do Luciano
e gostei
do que vi
voltarei mais

bj

Zana Sampaio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.