segunda-feira, 25 de abril de 2011

Seresteira

Di Cavalcanti. Mulher.
Ela sentiu que seria o fim,
resolveu reunir todas as roupas...
revelar alguns segredos
e declarar alguns amores ingratos.
lamentou as brigas que não comprou
e as bandeiras que não defendeu.
Gritou aos quatro ventos seus delírios.
Foi no pagode, subiu e desceu... virou feitiço.
bebeu. se deu. comeu e cuspiu. levou e não pagou.
O tempo foi cruel,
e como um saci, fez que ia passar e não passou.
Humilhada resolveu fazer uma seresta,
vestiu uma saia emprestada... virou sambista...

de tanto que ficou falada...

pegou os trapos, a viola, a percata
e foi morar em outra aldeia.

4 comentários:

Ellen Joyce disse...

Amo essa!

Daniel Mendes disse...

Viva as seresteiras de todas as horas!
e os nossos gritos de liberdade!
Uma beleza de poema

Água Doce disse...

Adorei.Lembrei de Chico:

Perdida
Na avenida
Canta seu enredo
Fora do carnaval
Perdeu a saia
Perdeu o emprego
Desfila natural
Esquinas
Mil buzinas
Imagina orquestras
Samba no chafariz
Viva a folia
A dor não presta
Felicidade, sim
O sol ensolará e estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas
Bambeia
Cambaleia
É dura na queda
Custa a cair em si
Largou a família
Bebeu veneno
E vai morrer de rir
Vagueia
Devaneia
Já apanhou à beça
Mas para quem sabe olhar
A flor também é
Ferida aberta
E não se vê chorar
O sol ensolará e estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas

Luciano Fraga disse...

Zana, letra de música, maravilha de poema. Há momentos na vida que devemos bater em retirada mesmo! Já não cabemos. Abraço.